As Primas!


A srª Inércia e srª Neura, são duas primas, desconjuradas, impertinentes, solteironas, velhacas, e beatas. Passam a vida a ver o que se passa nos outros, são bisbilhoteiras e malvadas. Andam sempre a matutar onde se podem meter, andam sempre juntas.

Neura: Oh! Inércia, já viste hoje o sr Joaquim?!

Inércia: Tem graça, já não o vejo há uns dias, mas porquê?

Neura: É que tu gostas tanto dele?!!

Inércia: Ai é?! Então tu também não gostas?! Quando estás com ele, pões sempre o homem todo melado, não fala, não ri, até mete pena!

Neura: Pois ele gosta, não tem força para me derrubar!

Inércia: Sim, isso é verdade!!! Eu também ajudo, pois amasso-o bem e ele fica prestado!

Neura: Claro! É assim, temos de continuar, nós gostamos que ele tome muitos remédios e vá muitas vezes ao médico, só não gostamos quando ele vai ao psicólogo, vem de lá com aquelas palavras filosóficas, para nos derrubarem.

Inércia: Pois é, dizes bem, assim não temos com que nos entreter!… Vê lá, que ali o nosso vizinho António, nem me consigo chegar a até ele, é muito divertido, alegre, bem disposto, gosta muito de cantar e dançar.
Sabes, quando me aproximo, ele empurra-me e diz-me: “Sai daqui. Oh melga! Vai pregar a outra freguesia!”
Vê lá! Como se eu não prestasse para nada. Mas ele é muito forte, tem vontade em ver os dias a nascer, passear, ver e confraternizar com pessoas.
Dali não levamos nada prima!

Neura: Pois é! Comigo passa-se o mesmo! Não gosta nada da tristeza, é um rapioqueiro e namoradeiro.
Vê lá tu, que outro dia atrás disse-me, que nós era-mos umas chatas, que lhe corroíamos a alma, que não lhe batesse-mos à porta, pois não era-mos o género dele! Julga-se importante!
Há tempos, o nosso tio Ócio, foi com ele para as Maldivas. Com ele já foi, pois! São os dois uns peneirentos! Queres crer que ele conheceu lá nas bandas uma menina, toda gaiteira e desempoeirada, que se chama Liberdade?!

Inércia: A nós não nos quer! E essa de mamas ao léu e bandeira na mão, já lhe agrada!! Até me disse: “Olhem, estou muito bem e vou com ela para todos os lados, sou livre! Levo cravos nas mãos para oferecer ou rosas no regaço, sou livre! Livre de preconceitos e expresso os meus pensamentos!”

Joguem pela janela a Inércia e a Neura! Soltem risos e gargalhadas que elas fogem a sete pés!
Vá, façam algo em prol de vós! Viva a Liberdade! Viva o prazer da vida!!!

M. Antonieta

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