A espiritualidade!

O espírito é parte integrante de uma vida,
Composta por fragmentos, consequentemente
Dispersos por vários valores, emergem à tona do sentir!
Do amar, do colher a essência maravilhosa
Que Deus omnipotente nos oferece, neste universo
Tão conturbado pelos malefícios incontornáveis
Constituídas pelo vigente da terra!
Sua arrogância tão impotente, enfrenta desafiando
Os poderes da natureza, tão subtil, tão formosa na sua plenitude!
No auge da maturação, da limpidez divina como foi criado o universo
Da humanidade! tão incultos, insensíveis, egocêntricos que só
Projectam, matéria fragmentada destruindo as ninfas do bem,
Fazendo luta constante nas forças intangíveis, imutáveis,
Que contorna o homem! A incorpórea ferida chora conduída
Pela incompreensão humana! A materialização decompõe o ser vivo,
Analfabeta, invisual às grandezas que surgem do além!
A união, a fraternidade entre os homens, é essencial à vida!
Para alcançar o bem perdido, perpetuar a universalidade num todo!

Autora
Maria Antonieta

O amor e a rosa!

Anda o amor destroçado
E também amargurado,
Anda o coração tão triste
Que também já não resiste.
Anda a alma abandonada
E também desamparada!
Anda a vida em desatino
Por crueza do destino,
Anda assim meu coração
Dentro desta escuridão!…

Toda esta infelicidade
É causada pela saudade!
Ela me trás sofrimento
A toda hora e momento
Ela me leva a doçura
E me trás tanta amargura!
Ela me rouba o amor
E somente me trás dor!

De mãos vazias, sem nada…
Anda a rosa desfolhada
Anda pisando os caminhos
Por entre ramos de espinhos!

Autora
Maria Antonieta

Poema publicado no jornal Vila das Aves!
Escrito em 1963

A ti mãe!

Mãe, mãe, minha mãe!
Teu nome é uma flor.
Pura, leve é também
O céu azul com ardor!

Mãe querida mãezinha
Teu nome que é tão querido,
Um nome bem adorado
Um nome nunca esquecido!

Mãe teu lindo nome
Têm a virgem no altar,
Todos nós o adoramos
À virgem e a ti a rezar!

Minha mãezinha querida
És pura como a luz do dia,
És a cruz da nossa vida
És a pérola da harmonia!

Autora
Maria Antonieta

Uns dos meus primeiros poemas aos catorze anos!
Escrito em 1958

Silhueta!

Vejo a tua silhueta, magra, olhos dormentes
Como desenhos esculpidas nas laje decoradas nas janelas!
Ao som do trompete, devoro letras, como fogo que lavra desvairado!
O bucólico entra no crepúsculo do meu peito,
Arde de fúria por tanto te amar!
O lirismo do meu saber, envolve-te num manto de sedução!…
Acordas para lá do imenso prazer!…
Em faúlhas dispersas pelo ar que respiras!
Vais correndo ao encontro de…
A sombra que se desenha, no teu rosto melancólico!
A melodia espalha sons, entoa nos corpos nus
Arrepios de suor, na sensualidade do amor!

Autora
Maria Antonieta

Saudade!

Olhos de fontes perdidas
Que brotam lágrimas sentidas
Dum amor que não têm fim!…
Sou tão incompreendido
Coração tão ferido!
No oásis,onde ouço clarim
Perturba o meu sentir!
Na angustia de ter que partir
Lá longe!…não mais me ver!
Deixo saudade a correr
Por esse rosto perfeito
Ficam gravado a perceito
Na sombra da ilusão
Que me arrasta para a solidão!

Autora
Maria Antonieta

Perdida no tempo!

Sou folha perdida no vento
Desvairada no pensamento
Correr ao teu encontro!
Vejo entrar a madrugada
Estou tão embriagada
Só vejo em ti, o outro!…
Com ele fiz encontro,
Caminho ao desatino
Não sei qual é o meu destino,
Vou para a rua cantar
O fado da Mariquinhas!…
Vestido feito de linhas
Vai toda a gente encantar!…
Na taberna do Jeremias
Estavas lá e até gemias
De dor no peito a sangrar!
Que aconteceu, meu amor?!
Nada que te possa interessar!…
Andas fugida de mim
Lá se foi o meu fulgor!
Agora só quero o jasmim
Que te dei, lá no altar!
Essa flor está a murchar
Espero que a venhas regar!
Volta, meu querubim
Quero-te muito beijar!

Autora
Maria Antonieta

O Outono!

Outono de melancolia
Te vestes de sinfonia
Tocando valsas de amor,
Dançando ao teu sabor
Me deixas embebedada
Na tua linda cor!…
Fico tão deslumbrada,
Desmaio no teu desfolhar!…
A árvore vai ficar nua
És tu que a vais despir
Com o teu leve sorrir!…
Folha, a folha, vai cair,
Vês nela, a mulher
Que na sua nudez
Não se inibe de escolher
A vontade a timidez
De mostrar o peito nu!…
Somente, apenas tu,
Vais tocar-lhe a soprar
Outono, tu vais amar!

Autora
Maria Antonieta

Os olhos!

Olhos que percorrem a vida
Esperando ser vivida
Com amor perante o dia
Que paira em meu redor
Por um caminho melhor!
Encaram a labuta,
Sempre com muita luta
Sabe Deus com que sofrer,
De ver tanta gente morrer
De fome por este mundo!…
Egoísmo, poder, crueldade!…
Olhos, que só querem amar
Paz a debandar!…
Procuram toda a verdade
Onde só há violência
Só se espera por cedência
Guerras tão no afundo
Que deixa uma dor intensa!
Olhos, pregados na cruz
Que recriam tanta luz,
Orando ao bom Jesus
Com alegria imensa
Irradiando a humanidade!…
Choram lágrimas de saudade!
Olhos, dizem assim, ao coração!…
Só vejo tanta injustiça
Tanta criança sem pão!
Estás a meu lado, amigo,
Estou sempre contigo!!!
Temos que buscar justiça
Nesta luta fatigante
Destruição humilhante!…
Não vamos consentir
Que o mundo vá acabar!…
Nós, queremos ver-te sorrir!!!

Autora
Maria Antonieta

Poetizar !

Sou feita de poesia
De letras à solta, perdida
Que pairam em meu redor!
Às sílabas fico rendida
Que revelam tanto amor!
Letras tão desfolhadas
Todas elas rendilhadas
Que voam pelo ar!
Pétalas em folha
São campos de papoila
Aveludadas, perfumadas
Que desfio a cantar!
Sendo por mim tão amadas!
Sou como o longo rio,
Tenho um grande arrepio,
Quando em ti, me vou banhar!!!

Autora
Maria Antonieta

Crónica!

A sapiência desenvolve-se pelo culto interior,
Pelos sentidos mais nobres, da bondade, igualdade,
Solidariedade, vontade em vencer todos os obstáculos,
Impostos pela sociedade tão injusta!
Todos merecemos viver neste globo com dignidade,
Respeito, abnegação pela luta do dia a dia!
O progresso serve para amadurecer a população,
Dar-lhes melhores condições, viverem com alegria,
Motivação para fazer crescer um País!

Autora

Maria Antonieta