A poesia!

Oh! versos que vou rimando
Na estrada da minha vida
Nos canteiros da roseira
Que crescem à minha beira
Que colho todo o dia
Em plena alegria!
Na casa onde nasci
Escrevendo para ti!…
Fecundo a cada momento
Cálido letrado vou amando
Quimeras vou soletrando
Nas pétalas do versejar!..
Nasce em mim a poesia
Na febre do meu exaltar!…
Foste sempre maresia
Que abriu o meu calar!…
Oh! rimas de embalar
Minha alma reza a chorar
Por tanto te amar!

Autora
Maria Antonieta

Amar!

No teu olhar furtivo
Tem um ar festivo
De quem vai,com ar garrido
Na tua voz de surdina
Namorar a Carolina!…
Exótica de olhos castanhos
De encantos tamanhos!…
Está sentada na soleira
Da porta da serra Cabreira
Com o rebanho a guardar!
Por ela, se pôs a chamar!…
Carolina, meu amor!…
Trago-te estas flores
Que colhi pelo caminho
Acácias de todas as cores!
Ali, naquele cantinho
A ti bem de pertinho
Nosso amor vai crepitar
No vasto e longo amar!

Autora
Maria Antonieta

Para ti!

Abarco-te no meu peito
Num doce leve jeito
Acariciando o teu rosto
Num lindo dia de Agosto!…
Cultivo o meu prazer
Que muito quer dizer
Nas ondas do teu cabelo!…
Tudo em ti é belo
Envolto tua cintura
Com dedos de finura
Que escorregam docemente
Teus lábios ardentemente
Sabem a flores de jasmim!…
Adornas o teu florim
Tocas melodia sem fim
Numa noite de luar!…
Há estrelas a brilhar
Faminta para te amar
Poemas a recitar!…

Autora
Maria Antonieta

Ribatejo!

Ceifo teus olhos de girassol
Que cantam louvor ao sol!…
És pérola que brilha
Nos arrozais da lezíria
Nos campos do Ribatejo!…
Cantigas de alegria
Soltam aos ventos perdidos!…
Oh! bela adormecida
Não serás esquecida
Nesses prados de frescura
Onde encontro a loucura
De correr pela aventura
Searas de trigais
Onde suspiro meus ais!…
Campo de rosmaninho
Amor vem de mansinho
Não te percas no caminho
Espero aqui sozinho
No degrau da tua porta
A ver o sol nascer
Até a manhã romper!…

Autora
Maria Antonieta

Esperança!

Esperança que vai nascer
No peito a renascer
Em cada coração perdido!
És uma concha de maçã
És astro que reluz
Que trazes mo peito a luzir
Espero não te ver fugir!…
És estrela de luz
Sorrirás à juventude
Não me furtes inquietude
De te ver, partir um dia!…
Andas tão desiludido
Lento, tão distraído
Na rua desnorteado
Até ser encontrado
Por ti, estrela de alegria
Na tua fragrante louçã!

Autora
Maria Antonieta

Teu sorriso!

Na senda do teu sorriso
Há girassol a sorrir
Tens o sol a te abraçar
É nele que te vou amar!…
Na senda do teu olhar
Há papoila a bailar
É nele que te vou beijar!
Na senda do teu beijo
É fonte do meu desejo
A sede vou apagar!…
Na senda da tua voz
Embalo do teu riso
Leva-nos a ficar sós
Adormecendo ao luar!…
Na voluptuosidade do tempo
Consumo o passatempo!
Na senda da tua esfinge
Se esconde até finge
Elísea luz a brilhar!
Na senda da timídez
Nessa tua languidez
Não vejo o teu olhar!

Autora
Maria Antonieta

Meu ser!

No íntimo do meu ser
Que o vi crescer
Há flores a voar!…
Como estrela cadente!…
A caminho do etéreo
Vibrátil o teu olhar!…
Findo o efémero
Vejo camélias de prata
Beleza tão grata
No jardim celestial!
Amor ancestral
Em tarde de melâncolia
Que tremura, tão fria!…
Casta perfeição do canto
Fico com certo espanto
Ouvindo pássaros a piar!…
Alma incandescente
Que amas intensamente
Um hino ao teu verso
Iluminando o universo!

Autora
Maria Antonieta

A ti!…

Caiem bátegas de chuva
Na vidraça da janela
Sento-me ao pé dela
Que negra nuvem, tão turva
Perturba o meu olhar
Por tanto te amar!…
Olho o céu tão nublado
Dia triste, tão ofuscado
Sem brilho, para sorrir!
Penso em ti!…estás distante!…
Meu coração num instante
Se pôs por ti , a florir!…
Gritando, em alto delírio
Buscando para ti um lírio
Nas trevas do infinito!
Estagnante silêncio
No teu doce fulgêncio
Que fica no teu finito!

Autora
Maria Antonieta

Amigo!

Amigo que estendes a mão
Mendigando pelas ruas
Verdade que é só tua!
À chuva, ao frio, ao vento
Dentro do teu lamento!…
Uma mão cheia de tudo
Outra mão cheia de nada!…
Encontrões, tanto não!…
Tanta tristeza, tudo em vão!…
Homem, perante DEUS
Que diante dos olhos seus
Caem lágrimas de dor!…
Teu rosto tão suado
Tem rugas de mal tratado!…
Dormes debaixo da arcada
Enxerga de papelão!
Me curvo, perante ti
Teus olhos a mim sorri
Dou-te beijos, em vez de pão!!!

Autora
Maria Antonieta

Ver partir!

Cai rolando uma lágrima
Pelo rosto de uma mãe
Que vê seu filho partir!…
Leva na mão a sacola
Vai ensinar na escola
De um país tão distante!…
Leva consigo a esperança!…
No seu caminho inconstante
Lhe mostrar a perseverança !…
De seguir sempre em frente
Mostrando o seu valor!!!
Enfrenta um mundo de gente
Sozinho, sem ter calor
No próprio ser escondido
Padece, está tão perdido!…
Regressa, já sem sentido
De encontrar um amigo!
A mãe o vai desejar
A ele se vai abraçar!

Autora
Maria Antonieta