A vida!

A vida é um sopro
Corre como o vento!…
Foge por entre os dedos
Por longos arvoredos
Na natureza fulgente
De olhar reluzente!…
Durmo na tua fulgência
Na tua doce clarividência!..
Efémero prado de verdura
Corres pela aventura
É sopro que se esvai!…
Alma que vai a subir
Voando pelo céu se vai
Como pássaro a sorrir!…
Oh! mundo! és inconstante
Nessa tua mutação!…
És muito flutuante
Trazes exaltação
No teu olhar bendito!
Lutas como um faminto
Contra as garras do mal
Que te trazem ao abismo
Nesse teu doce lirismo!

Autora
Maria Antonieta

Pomba branca!

Pomba branca. branco
De tanta alvura!..
Vens da mão de Deus
Na brandura da manhã!…
Trazes tanta frescura
Aos que sofrem, vens beijar
De alegria, tanto faz
À terra trazes a paz!…
Brando é o esvoaçar
Dessa tão grande magia!…
Pelos céus do infinito
Levas nas asas um grito
De tanta gente te amar!

Autora
Maria Antonieta

Madrugada!

Oh! doce madrugada
Estrela da manhã!
A púrpura do teu rosto
Entra na glória das forças celestiais!…
Deito-me nas margens do teu leito
Ouvindo o lamento dos teus ais!…
Nasce em ti, do teu ventre
O sol teu filho doirado
Que germinas dando à luz!
Tens as dores lá no espaço
Que tanto te fazem sofrer!
Na febre da claridade
Panóplia de floresta arder
Poeira embacia, azul luminoso
Tateando uma melodia esquecida
Na exaltação do nascer!

Autora

Maria Antonieta

A Deus!

Adormecer no regaço de Deus
Embalado pelo silêncio!
Flutuar na ausência dos
Barulhos infernais térreos!
A nudez das lágrimas!,
São rio de água doce
Que acalma a nossa ira
Que amacia a ávida ânsia
Dos caminhos espinhosos
Que arrefecem a alma!

Autora
Maria Antonieta

A escrita!

A escrita cria a expansão de sentimentos
Bucólicos, longínquos, mordaz, fugir à
Alucinação à procura de algo, não se sabe o quê!
A incerteza do que está para vir!
Coração acelera, vibra, roda, como um arco!
Quer abraçar alguém, nada vê!
Paira uma sombra, na aridez, fantasia,
Ilusão de vida funesta e tenebrosa!!!

Autora
Maria Antonieta

O vácuo!

No prelúdio do teu olhar
Há um vácuo no limiar
Da profundeza do teu ser!
Não quero que padeças
Nesse infinito infortúnio!
Recebe teu apraz núbil
Afoga as tuas mágoas
Na fonte do prazer!!!

Autora
Maria Antonieta

Aos cinco!

Amo a Deus, por me ter dado estes frutos
Que amadureceram na árvore que sou!!!
Colhi da seiva do amor conjugal
Reguei com carinho, são curtos
Os caminhos a percorrer!
Germina no corpo que soou
Árduas labutas, mas afinal
Valeu correr esses caminhos
Hoje colho gestos, olhares de mimos!
São corais dentro de ilhas
Flores a florir!
No éden das maravilhas
Meu coração padece por partir
Para o além, tão distante!..
Levo o vosso sorrir!!!

Autora
Maria Antonieta

Nós!

Cabelos brancos de neve
São a saudade do tempo!
São amêndoas perfumadas
Que enfeitam o semblante!
Os olhos são cor de mel
No dedo trago um anel!
Dum casamento amado
Todo ele floriado
No peito que, é tão leve!
Têm amor, é como um templo
Decorado com filhos adorados!
Sem jactância, brilhante
No decorrer de uma vida!
Elevo uma prece a Jesus
Por me enviar tanta luz!..
Minhas rugas são sinal
De felicidade conjugal!

Autora
Maria Antonieta

Meu amor!

Oh! meu amor, amor feito de medo!
Vais partir?! não, ainda não!..
Oh! perdição dos meus sentidos!..
Deixa-me morrer nos teus braços!..
Há tanto tempo, que não sinto teus lábios!..
Há tanto tempo, que não vejo teus olhos!..
Tenho lábios secos
Bebo o suco do teu peito!
Embriago-me no calor do teu corpo
Neste amor tão fulgente!
Não fujas!.. meu amor!
Minha alma reza com fervor
Por este profundo amor
Amo-te perdidamente!!!

Autora
Maria Antonieta

Sonho!

sonhei contigo esta noite
Estavas mais terno que nunca!
Se soubesses com que fervor
Nossos olhos se cruzaram!….
Tanto querer, tanto amor!
Estava-mos sentados na margem de um rio!….
No seu leito rasgado
Entre pedregosos declives
Ouço a tua quimera
Que inebria o meu corpo!…
Arrepios de prazer
Deslizam num pranto!
Oh! doce noite aquela!…
Que não mais queria acordar
De tanto te amar!

Autora
Maria Antonieta