A luz do dia!

A aurora rompe o dia, diz assim!…
Dás-me licença!?… Vais nascer,
Sou tua Mãe!
Vais viver até o teu tio, o Sol se pôr!
Mas Mãe, que vou fazer?!…
Ora! vais brincar com os teus primos!…
Quem são eles?!.. é o vento, aquele mais alto,
Que vem do mar de mansinho,
Têm o cabelo ondulado, miudinho, todo enrolado!
Que namora a sereia, deitado na areia!
Hà! aquela de rabo comprido!
Fico todo a bailar, com o Sol a raiar!
Gosto de ver as pessoas a correr de par em par,
Dentro do seu labutar, tanto algazarrar!
Me põe zonzo e a zangar!
Até peço à prima nuvem, para me vir ajudar,
Para um pouco sossegar, da azafama e pó no ar!
Lá vem uma pinguinha de chuva, para acalmar!
Esta gente de quem gosto, até me põe a chorar,
Quando sinto alguém, partir a sorrir!
Para esse meu primo, céu azul de celeste cor
Que me beija com tanto amor!
O tio vento trás aragem, é tudo uma miragem!
Enquanto tenho algazarra, a noite vai para a farra!
Esta prima é desvairada, gosta de ser amada,
Pelas estrelas, pela lua, são primas que se dão bem,
Só quando vou para a rua, levo encontrões, discussões!
Deixa filho!… mas também, fazes pessoas felizes
A tua luz, até conduz encontrar os deslizes,
Daqueles que são infelizes, no teu colo consolar!
Depois de toda a brincadeira, vem dormir! meu amor!
A prima noite está a chegar!
A minha irmã madrugada, amanhã vem te acordar!
Sou Aurora boreal, tua Mãe toda vaidosa!
Vai para longe, outro local, sou como a mariposa!
Que surjo no mundo inteiro, contigo a ver-te crescer,
Nesse teu lado matreiro, pela urbe passear!

Autora
Maria Antonieta

O Chico e a Rosa!

Numa tarde soalheira
Vi da ponte da Ribeira
Naquela casa amarela
Que fica virada para o rio,
A namorar à janela
Estava o Chico a beijar
A Rosa do terceiro andar
Que vende panos de linho!
A mãe cheia de brio
Põe a mola no cabelo
Avental tão bordadinho,
Por ela. se põe a chamar,
ÓH! Rosa! vem ver o rabelo,
Trás gente para comprar!
Custa 1 euro, esta toalha
Leve lá, toda esta tralha
É pouco para arrematar!…
A Rosa toda airosa
Vê a maré a baixar
Logo se põe a correr
Para o Chico não pescar!…
As trutas estão a saltar!!!
Diz o Chico para acalmar,
O rio está de mansinho!…
Vem para aqui, amorzinho!
Vamos ao rio cantar
Contigo quero casar!

Autora
Maria Antonieta

O campo!

Na bruma do teu olhar
Vejo tojos em flor!
São espelhos de água doce
Onde mergulho meu amor!
Nosso amor bordado
Em azinheira pintado
Salgueiros, chorões, relvado,
Entre moinhos ao vento!…
Bosque de carvalho, farnel na mochila
Levo nela pão e chila,
Cheira a terra, campo de centeio
Que me leva ao moleiro!
Som da enxada, vinhas de fruto
A teu lado tudo isto, eu desfruto!!!

Autora
Maria Antonieta

A Natureza!

A essência da natureza
Renasce a cada instante
Tudo fica mais distante
Neste viver constante
Até onde nos conduz?!
Em busca da verdade!?
Atormentando a existência
Desta subsistência
De árduas fadigas
Por entre tantas cantigas
De louco moribundo
Espalhado pelo mundo,
Na voz do infinito
Vem de lá tudo escrito
Na récita de encontrar
Atitude de mudar
Diante o céu e a terra!
Tudo tem que se transformar
Para planeta salvar
Desta terrível alucinação
Desmedida ambição
Acaba na longa secura
Homem perdido na loucura!

Autora
Maria Antonieta

A Serra e o Milhafre!

A serra toda vaidosa
Nesse teu verdejante
Tens janelas de ardósia!
Dizes ao teu viajante
Não me estragues, sou casta!
Cá do alto vejo o mar
Bate as ondas, me desgasta
Tenho fendas a rachar!
Vejo a abóbada do céu
Lá o Milhafre a voar
Bate as asas deslizando
Num voo de lentidão!
Vem poisar e debicar
As larvas do meu penteado,
No ninho se vem deitar
No meu colo aconchegado!

Autora
Maria Antonieta

A ti Douro! Património Mundial da Humanidade!

No alto da serrania
Te vestes de alegria
Nesse verde penetrante
Nos socalcos do Douro!
Cachos de uvas pendentes
Únicas, surpreendentes!…
Homens de cestos às costas
No calor das encostas
Te colhem maduradas
Que lindo! tão perfumadas!
Vales mais que o ouro!
Corre o rio mansamente
Duma beleza sem fim!…
Por vales serpenteado,
Teus trajes, todo bordado!…
A paisagem cria em mim
Uma longínqua sedução
Que arrebata meu coração
De te amar eternamente!!!

Autora
Maria Antonieta

As letras!

Sou fazedora de poemas,
Ladeando as palavras,
Florindo as letras,
Pintando as frases,
Enfeitando os livros,
Rabiscando papeis,
Dedos que deslizam como penas ao vento!…
Que escrevem o que meu coração dita!…
A.de Amor,P.de Paixão, S.de Sofrimento
L.de letras romanceadas,C.de contos de crianças,
V.de versos de rimar, plantadas para amar!!!

Autora
Maria Antonieta

Alentejo!

Alentejo que de mim
Ficas na minha lonjura
Teus sobreiros são de frescura!
Aroma Jasmim, alfazema, alecrim!
Fresca melancolia
Aurora ao romper do dia!
Onde fico inebriada
Na planície aveludada,
Arbustos de medronheiro
Vento brando e aprazível
Nas cearas cor de mel!
Tanta beleza esculpido
De branco estás pintado!
Nessa paisagem bucólica
Fico tensa e melancólica
No suave ramalhar
Das folhas da Azinheira!

Autora
Maria Antonieta

A Oliveira!

Toma lá uma azeitona
Colhida no meu quintal
Tenho lá uma Oliveira
Mais parece um Olival!
Andei numa maratona
Para encontrar o Silveira,
Sentado no degrau da porta
Comia pevides de abóbora!
Então!..não vai regar a horta?!
Doí-me as costas, sra.Aurora!
Amanhã, vou apanha da cereja
Quer vir, ao cerejal!
Lá encontra o que deseja
Maças, pêras, melão
Que enchem nosso coração!

Autora
Maria Antonieta

O morango e a cereja!

Morango, fruto silvestre
Que vives na vida rupestre
Tua cor é de rubi!
Sobes em trepadeira
Na janela da Susi
Dá-te a mão para te colher,
Logo te pões a sorrir!
Ao lado a cerejeira
Fica com ciumeira!..
Nos seus brincos de mulher
São lindos a pendurar
Para criança brincar
Na roda dos alimentos!
Come morango, come cereja
Dizem nos alinhamentos
É tudo que se deseja!

Autora
Maria Antonieta