A alma!

No teu dorso embalador
Adormeço!…
Rasgando as trevas
Que navegam no meu peito!…
Aperto-te na magia do beijar!…
Flor de alecrim
Que enfeitas o meu éden!…
Badalam sinos no âmago do ser
Por te ver tão lânguida no olhar!…
Oh! triste alma! que choras!…
Angélica madrugada de flores
Abrir ao sol!…
Canto de rouxinol, que trinas
Voando no céu, em cânticos celestiais!
Alma fera brava!…
Que pões teus olhos voando
No vibrátil da melancolia!…

Autora
Maria Antonieta

Ser tua!

Quem me dera ser o sol
Para te abraçar!
Que me dera ser a lua
Na noite te iluminar!
Quem me dera ser o mar
Em mim te vens deitar!…
Quem me dera ser teus olhos
Ver neles os teus abrolhos
Que abrem como flor!…
Quero-te meu querubim
Enfeitas o meu jardim
Plantado dentro de mim!…
Nascem ostras de muita cor
Concha que vai abrir
Com o teu leve sorrir!…
Por tanto, te amar!…
Não sei como te desejar!..

Autora
Maria Antonieta

Caminhando!

Pelos caminhos de aventura
Te vou encontrar um dia!
Vai ser longa a caminhada
Não te posso esquecer!…
Pelos campos de verdura
Vou colher com alegria
Camélia, azul, amarela
Que enfeita tua janela
Quando nela estás a sorrir
A ver o sol nascer
Na aurora a subir!…
Trepando pela calçada
Tão cansada de sofrer
Atrás de ti, a correr
Nas ruas de amargura
Mas que luta, tão crua!…

Autora
Maria Antonieta

Fica comigo!

No céu estou sentada
Ouvindo arcanjos a tocar
Arpas em coro celestial
É tudo tão divinal!…
Incorpórea clarividente
Duma luz transparente
Que inunda todo o mundo
Neste amor tão profundo!…
Adormece minha alma
Enquanto vou amando
Repouso nela sonhando!..
Teus suspiros enrolando
Nos cachos do teu cabelo!…
Meus lábios em apelo
Que rogo, fica comigo
Não quero ficar sozinho
Não quero te ver partir!
A meu lado vais sentir
O quanto te vou amar!…

Autora
Maria Antonieta

Dizer-te!

Na contextura do teu dizer
Há muito para fazer
Na universalidade do tempo!…
Corres pelo etéreo, sem rumo
Pelas cortinas do fumo
Que rasgas sem compaixão!…
Apalpas tudo em vão
No caminho da escuridão
Perdido sem salvação!..
Pedes o teu perdão
A Cristo que está na cruz!
Suas chagas têm luz
Na redenção das alturas
Queres curar tuas fissuras
Que mordem o teu sofrer!..
Para não mais padecer
Ao Divino vais orar
Com amor, até amar!

Autora
Maria Antonieta

Natureza!

Amo-te profundamente
Oh! natureza bendita!..
Na tua gentil desdita
Me levas ao encantamento
Na fúria do teu lamento
De arrebatar, emanar
Raios de luz, fulgente
Em plena sedução!…
Tua virgindade natural
É uma emanação
Que eleva em ascensão
Ao mundo ancestral!…
Sublime porta de profundeza
Por onde entra a grandeza
Da tua omnipotência
Te rogo em penitência!…
Quero levar-te comigo
Dentro da mão, bem fechada
Tua beleza!.. minha amada!

Autora
Maria Antonieta

À vida!

A vida é um carrossel
Que se rasga como papel
Cheia de fantasia
Que nasce em cada dia
No nosso pensamento
Vivendo cada momento
De tristeza e alegria!…
A vida é uma bola de sabão
Que se espreme na palma da mão
Num sopro de solidão!…
Esvai-se tão de mansinho
Por entre nosso caminho
Imensa é a tua dor!…
Que carrega tanto amor
É por mim, por ti, que não quero
Ver-te correr, sofrer em desespero
Longa caminhada com esmero!…
Que ofereces a quem te ama
No pináculo da tua fama!

Autora
Maria Antonieta

A uma amiga!

Sabes ser uma estrela
Orbe que brilha no teu ser!
Leal, bondosa, sincera
Admirada, amada, por todos
Nossa amiga, prestável
Grande coração
Eterna amiga!

Autora
Maria Antonieta

Avé Maria!

No teu olhar tão fùlvido
Que nunca será olvìdo
Ouço pássaros a trínar!
Avé Maria de schuber
Meu coração se encandeia
Melodia na lua cheia
Na meia- noite ao luar!…
Teu amor tão furtivo
Me deixa no teu calar!…
Sinto um grande finito
De te ver no infinito
Tocando o violino
No purpúreo do amanhecer!…
Canção de amor ao divino
Que me leva a conhecer
O céu de estrela cadente
Brilha tanto! tão fulgente!…
Aqui, quero ficar
Para sempre te amar!

autora
Maria Antonieta

A dança!

Dança, roda, dança, dança!
A balsa do Danúbio
No teu doce nubente!…
Oh!.. pura ilusão!..
Sorrir à vida
É sorrir ao mundo!…
Ser criança a florir
É uma flor abrir
Na languidez do teu olhar!
Deixa morar no teu coração
Sabe a mel, alecrim, jasmim!
Encosta-te a mim!…
Enrolo-me no teu colo
Sinto o teu perfume!…
É nele que vou sonhar!…
Vejo estrelas a brilhar
Lá no infinito a luzir
Sinto lá o teu bradar!…

Autora
Maria Antonieta