Outono e Primavera!

Folhagem aos pés pisadas
Pelo vento levadas
Num voo de remoinhos,
A ouvir as avezinhas
Ficam encostadas, sozinhas,
Como o rodar dos moinhos
Que tanto verde, espalhou!…
É o Outono a chegar!…
Flor que se desfolhou
No amor que acabou!
Vais-te embora!… princesa!
Partes, mas vais voltar
Com tua luz tão acesa!…
Por ti, eu vou esperar
Primavera, meu amor!
Árvores de grande beleza
Seus ramos vais enfeitar
No teu lindo esplendor!

Autora
Maria Antonieta

A Rosinha!

Bom dia linda menina!…
Rosinha de saia rodada,
Acordas na madrugada
Com orvalho a sorrir!
Sendo tu uma donzela
Dentro da tua querela
Vens espreitar à janela
Ver o sol a expandir!…
Abraça-te com tanto amor
Seus raios de esplendor!
Chama-te linda princesa
Áureo de singeleza
Paira em teu redor!
O teu bailado tem brilho
Teu perfume é inebriante
Deixas o sol apaixonado!
Tua cor tão brilhante
Rosinha, tens namorado!

Autora
Maria Antonieta

A rosa!

Flor de rosa, aveludada
Que enfeitas o roseiral
Trazes ao colo o botão
Teu filho tão amado!
Tuas folhas no beiral
Namoram os pardais,
Esvoaçam pelo quintal
Em voos de picão
Fazem ninho rebordado
Na quimera dos seus ais!
Tua beleza é cobiçada,
Diz assim, o jardineiro,
Flor do meu canteiro!
Tua fragrância é espalhada
Por entre ramos de espinhos!
Na terra os teus pezinhos
És flor muito amada!
Orgulho está em mim
De te ter no meu jardim!

Autora
Maria Antonieta

Sobrevivente!

No teu rosto engelhado
Pela noite marcado
Na solidão do viver!
Dormes debaixo da arcada
Em coberta já rasgada
Pelo tempo desgastada
Nesse teu longo sofrer!
Comes na tigela beijada
De mãos erguidas na enxerga!
Deambulas pela cidade
Magro, pedindo esmola
Abrindo a mão à caridade!…
Muita gente ajuda erga
Essa tristeza profunda!
Sentado na berma da escola
Teus olhos bem lá no fundo
Dizem o que vai na alma!
Sou DR.das pedras da rua
Nelas aprendi a ter calma!
Iluminado pela lua
Nas noites longas e frias!…
Aprendi o que é amar
As pessoas me vêm dar
O pão de cada dia
Um sorriso de alegria!!!

Autora
Maria Antonieta

O teu olhar!

Teus olhos são de veludo
Que eu amo e amarei
São dois poemas líricos
Que prendem meu coração!
Teus olhos me dizem tudo
Presa a ti eu ficarei!
Búzios de mar! tão ricos
Em amor e de paixão!
Na volúpia do teu beijar
Sinto um grande arrepio!…
Flor perdida no vento
Onde tu me vais achar!
Rastejo no chão tão frio
Agarrada ao pensamento
De não mais te encontrar!…
Minha voz vem lá do fundo
Chamando pelo teu olhar!
São de amor tão profundo
Jamais te quero deixar!!!

Autora
Maria Antonieta

Teus lábios!

Teus lábios subtis
Quando sorris
São pérolas de rubi
Na laje lapidada!
Teu corpo é pujante
É seda de brilhante
Que desliza no meu!
Sou amante, tua amada,
Meu amor enalteceu!
No teu colo vou dormir
Teu peito está a tremer
Doces beijos a sorrir
Acalmam o teu gemer!

Autora
Maria Antonieta

O verão!

Flor estival dias de luz
Que no teu peito seduz
Estio de sol doirado!
Todo ele perfumado
Que aquece a pele rugosa
Namoras a terra amorosa
Dás a fruta madurada
Toda ela bem amada!
Passas por nós a correr
Com o inverno vais ter!
O arvoredo do jardim
Vai fugindo de mim!….
O voo planado do abutre
Faz criar deslumbramento
No ímpeto do pensamento
Uma grande envolvência!
Sonho desejado
De amar poesia ilustre
De plumas, lantejoulas
No baile a Rosa, a Hortênsia
Desfilam rimas crioulas,
Idiomas, num País amado!!!

Autora
Maria Antonieta

A noite!

Pela calada da noite
Ouço lobos a uivar
Densa escuridão
Na mata vou entrar,
Comigo levo a lua
Que ilumina o caminho,
Diz-me com tanto carinho
Não vás por esse açoite
Que têm grande possessão
Flora, fauna, alumbramentos
Que te impede de cantar!
Afundo meus pensamentos
No abismo da loucura
Por entre tanta verdura
Meus pés te vão pisar!
És sombra ilusória
Desta longa história
Que faço sem me cansar!
A ti rezo, choro, rio!…
Tenho tanto frio!…
Fico nesta maléfica
Numa noite tão pérfida!
Até te poder encontrar!

Autora
Maria Antonieta

O céu!

Na abóbada do céu
Há estrelas a brilhar!
Se fosse ave voava
Para te poder tocar!
Só sei que te beijava
Na vastidão do infinito
Sinto cá dentro um grito
Neste poema escrito!
Orbe de luz intensa
Sinto uma dor imensa!…
Gostava de te agarrar
Minha mão estender
Para poder compreender
Como é bom tanto amar!

Autora
Maria Antonieta

O poeta!

Meus olhos de poeta
Que dizem quanto amam!
São palavras de profeta
Adormecidos, perdido
Por entre campo de lírio
Grito em forte delírio
Que em surdina gemia
Essa pungente dor!
Numa lenta agonia
meu amor que têm feridas!
Crisálidas adormecidas
Que soam no eco das fontes cálidas
Onde nascem flores pálidas!
Celeste formosura
Meu amado, meu amante
No teu olhar de frescura
Meu prazer arrepiante
Se deleita em belas rosas
Perfumadas, tão vaidosas!
No teu colo para te amar!

Autora
Maria Antonieta