Os frutos!

Laranja no laranjal
Árvore tão redondinha!..
Onde poisa a andorinha
A florir na Primavera!
No verde da tua quimera
Flor de laranjeira
Leva a noiva no altar
No dia em que se vai casar!
Despes-te muito ligeira
O Verão está a passar!
No caminho do Pomar
Ouço folhas a cair
É o Inverno a surgir!
O teu Primo, o limão
Com o vento, cai ao chão!
Fica todo amachucado!..
Logo se põe a chorar
Não tem sumo para dar!
Digo-lhe, assim baixinho,
Não, chores, amarelinho!
A laranja e o limão
Fazem bem ao coração!

Autora
Maria Antonieta

Broa-de-milho!

Campo de milho doirado
Que deslumbra o nosso olhar
Espigas a debulhar!
Nas ceifas do Outonado
Grão, a grão, vão a malhar!
Malha, malha, lá na eira
Moinho te vai moer,
Roda, roda, a moleira
Farinha tu vais fazer!
Leva ao forno a coser
O pão que vamos comer!
Olha!.. que broa fofinha!!..
Sabe bem uma sardinha
Neste pão mesmo a pingar!
Uma tigela de vinho
D,adega do Vilarinho
Que vem mesmo a calhar!!

Autora
Maria Antonieta

O amor!

O teu rosto é tão sedoso
Que te deitas no meu peito,
Cobres-me com tanto jeito,
Com sedas de cambraia lustroso
Levanto-me, vou espreitar!…
Ouço alguém a murmurar!…
Na janela lá do canto!
Quem és tu?! que não te vejo!…
Sou o amor!.. o teu encanto!
Que me dá tanto desejo
De te dar um longo beijo!

Autora
Maria Antonieta

Amar!

Amar é um sentimento maravilhoso,
Essa partícula é superior às nossas forças,
É o mais sublime que temos na vida!
Quando se ama verdadeiramente
Como flores a exalar aroma!
Borboleta graciosa batendo as asas!
Num gesto de perfeito encanto!
Aconchegado num carinho fraternal!
Assim se extrai o amor mais puro
Tornando o ser humano
No mais feliz dos mortais!

Autora
Maria Antonieta

Mar!

Abrindo os braços, nele me banho,
Deixando-me adormecer pelo embalo!
Será?!.. o sussurro dum búzio
Clamando para canto areal!!!
Sento-me sobre uma rocha,
Ouvindo o bater das ondas
Que desmaia na areia!..
Na alvura da espuma
Esvoaçam gaivotas num gesto gracioso,
Sol esconde-se atrás do horizonte!
Para se compreender a descrição
Duma força galopar
Pela calada da noite!..
Saudade, tristeza, paixão, sorriso,
É com elas que se faz poesia!
Nas asas brancas dum sonho
Ao homem do seu coração!

Autora
Maria Antonieta

Relembrar!

Quando se observa, relembra, há uma sensação estranha,
Hipnotiza que nos eleva e transcende, é um impulso de bem estar,
Apetece agarrar, alcançar, mas que foge, escorrega, correr ir atrás,
Mas que fica a relaxar! é bom cheirar a vida!
É o manipular do crescer ma aventura, sulcar, arrebatar,
Colher essa maravilha do viver!
Percorrer longos caminhos de estrada sem fim,
Ir na busca, no encontro, no olhar, no achar a própria condição de amar!
Contagiar, brotar, alcançar o bem perdido!
Sonhar, querer, realizar, meditar, sentir o êxtase da incorpórea!

Autora
Maria Antonieta

O cravo e a rosa!

No recanto do jardim
Dizem elas assim!…
Cravo olha para a rosa
Diz-lhe muito baixinho
Devagar, devagarinho,
És tão linda e formosa!
Queres casar, comigo?!
Casar contigo?!…
És a flor do povo!!!..
Quero o lírio que é mais novo!
Tenho na mão fechada
O símbolo de ser amada!
Vermelho é Liberdade
Diz o cravo de verdade!
Mas eu rosa, cor de rosa
Levo a rainha vaidosa!
O cravo todo zangado
Fica todo desarranjado,
Fica a rosa a rir
Põe o cravo a fugir
A rosa lá no jardim
Põe-se a sorrir para mim!

Autora
Maria Antonieta

O livro e a mulher!

Gosto de ti, diz o livro,
Leva-me contigo!
Olho, estás desfolhado,
Estou todo empoeirado,
Ao tocar-te vou cheirar
O teu perfume adorar
Deixa-me embriagada!
Queres ser minha namorada?!
Levas-me com tanto cuidado!
Ao teu lado vou dormir
Os teus olhos vão sorrir
Ao devorar o letrado!
As tuas mãos são suaves,
Ai!.. que me arrepias!..
O teu colo é tão quentinho
Minhas folhas estão frias,
Beijas-me! Oh! que fofinho
Esses lábios tão carnudo
Tua pele é de veludo!
Embebe toda a leitura
Avidamente num sopro
Ao sentir tua ternura!

Autora
Maria Antonieta

As crianças!

A fugacidade do tempo some-se e não volta,
Desliza suavemente brincando crianças,
Saltando, sapateando por entre as pedras da rua,
Rolando o pião, o arco de lata girando,
Trepando telhados, avistando do ponto mais alto,
Parecendo tudo muito amplo, querendo abraçar o mundo!
Como é bom ser criança! Aprender as primeiras letras,
Que são tão importantes na sabedoria da vida!
Desliza jovialmente no auge da adolescência,
Em que tudo penetra no ego da personalidade,
Nostalgia do querer atingir todos os sonhos que se idealiza,
Viagens, namorar, labutar, enquadrar, socializar uns com os outros,
Ter vivências, experiências, aprendizagem para crescer
Como pessoas, o tempo esvai-se e trás maturidade,
Ser pai ou mãe, algo que sempre alguém ambiciona,
Embalar doces palavras ao colo, ensinar os passos,
Cambaleando a correr pelo jardim, salpicados de sorrisos,
Saboreando favos de mel em beijos caramelizados!!!

Autora
Maria Antonieta

A árvore e o pássaro!

A árvore diz para o pássaro
Empoleirado no seu ramo,
Vê lá! não me estragues o cabelo
Tenho que manter todo o zelo!
São tantos a poisar em mim!…
Não sei quem escolher!!!
Tenho que manter
O meu encantamento!
Quem és tu?… afinal?!
Sou aquele pardal
Que faz ninho no beiral
Na casa do teu dono!
Com o teu deslumbramento
Por ti fico apaixonado,
Até cato o teu bichinho
No teu belo vestidinho
Que trajas no florir!
Fica o bico desajeitado,
Quero ver-te sorrir!
Áh! vais-te embora no outono
Fico para aqui sozinha!…
Vem o vento, fico nua
Vem a chuva miudinha
Lá se vai minha beleza!
Nesse tempo sou só tua
Pois a mim, ai quem me dera…
Espero com muita certeza
Vais voltar na Primavera!?

Autora
Maria Antonieta