Ser velho!

Ser velho é sentir o tocar dos sinos da aldeia, sentar na soleira da porta, a ver as pessoas a passar. Então sr. benjamim, como vai? olhe!.. cá vou indo, nunca pior. Já foi á missa?! hoje é domingo! Cá por mim não vou em padres, são homens, para homem cá estou eu, o que ele sabe, também eu sei, já cá ando há muito! Quando a minha companheira era viva ela ia, não importava nada com isso, era sua vontade. Em mim manda o meu querer, o pensamento é único e cada qual mija ca sua!!! HÁ! HÁ! essa está boa!! o sr. benjamim é muito divertido, ora! temos que ver tudo pela positiva! Pois, lá isso é verdade!!! bem, vou andando pois vou fazer as minhas compras, ao nosso vizinho da esquina, que lá vai vendendo os verdinhos para o almoço. Vá, vá, dona Aninhas, fico contente por a ver a passear pela nossa terra. Já viu, que pintaram a torre do castelo e no relógio até se vê melhor as horas, ainda bem que o nosso regedor se interessa pela nossa pequenina aldeia, tão branquinho e luminoso, situada neste Alentejo, tão perfumado, estes sobreiros, são rijos e frondosos, as searas estão aveludadas, a alfazema cheira tão bem!!! nesta vida tudo vale a pena o que é preciso, é não desistir o quão de bom ela tem para nos dar. Ser velho! é ter cas branco, pele rugada, amar e ser amado, ser maduro! é sentir o rolar dos anos e ver o sorriso das crianças!

Maria Antonieta

A mariposa!

Mariposa saltitante que beija cravos ou rosas,
Roda, roda, dança, dança, lá vai ela toda vaidosa!
A namorar o jasmim!
Ela sorri para mim,
Pois fica tão radiosa, dentro do meu jardim!
Tuas cores são tão brilhantes,
As asas cor de marfim!
Voa, voa, o teu voar é tão belo!
Vejo-te do meu castelo, nesse teu doce bailado!
Dentro do teu trinar, dança, dança, até o dia raiar!

Autora
Maria Antonieta

Minha filha, Cláudia, ama as palavras, tão bem, ou melhor que eu!

14-2-17 Amar é uma mão que se estende, o abraço apertado, como um colar que se prende. Amor é um olhar que se cruza, o sorriso verdadeiro, como beijo que perdura! Amor é uma palavra amiga que se atenta, o ombro sincero, como uma estrela que espreita entre as nuvens perfeitas! Amor é a aproximação dos corpos que se sentem unidos, como o próximo que ajuda, como pai que embala, como mãe que dá vida, como companheiro que no caminho habita, como criança que ri e chora! Amor é o mundo que gira, que vive a folia, ultrapassa a tristeza e acalma a alegria. A todos que o Amor seja parte integrante das vossas vidas. beijos.

Cláudia

As Primas!


A srª Inércia e srª Neura, são duas primas, desconjuradas, impertinentes, solteironas, velhacas, e beatas. Passam a vida a ver o que se passa nos outros, são bisbilhoteiras e malvadas. Andam sempre a matutar onde se podem meter, andam sempre juntas.

Neura: Oh! Inércia, já viste hoje o sr Joaquim?!

Inércia: Tem graça, já não o vejo há uns dias, mas porquê?

Neura: É que tu gostas tanto dele?!!

Inércia: Ai é?! Então tu também não gostas?! Quando estás com ele, pões sempre o homem todo melado, não fala, não ri, até mete pena!

Neura: Pois ele gosta, não tem força para me derrubar!

Inércia: Sim, isso é verdade!!! Eu também ajudo, pois amasso-o bem e ele fica prestado!

Neura: Claro! É assim, temos de continuar, nós gostamos que ele tome muitos remédios e vá muitas vezes ao médico, só não gostamos quando ele vai ao psicólogo, vem de lá com aquelas palavras filosóficas, para nos derrubarem.

Inércia: Pois é, dizes bem, assim não temos com que nos entreter!… Vê lá, que ali o nosso vizinho António, nem me consigo chegar a até ele, é muito divertido, alegre, bem disposto, gosta muito de cantar e dançar.
Sabes, quando me aproximo, ele empurra-me e diz-me: “Sai daqui. Oh melga! Vai pregar a outra freguesia!”
Vê lá! Como se eu não prestasse para nada. Mas ele é muito forte, tem vontade em ver os dias a nascer, passear, ver e confraternizar com pessoas.
Dali não levamos nada prima!

Neura: Pois é! Comigo passa-se o mesmo! Não gosta nada da tristeza, é um rapioqueiro e namoradeiro.
Vê lá tu, que outro dia atrás disse-me, que nós era-mos umas chatas, que lhe corroíamos a alma, que não lhe batesse-mos à porta, pois não era-mos o género dele! Julga-se importante!
Há tempos, o nosso tio Ócio, foi com ele para as Maldivas. Com ele já foi, pois! São os dois uns peneirentos! Queres crer que ele conheceu lá nas bandas uma menina, toda gaiteira e desempoeirada, que se chama Liberdade?!

Inércia: A nós não nos quer! E essa de mamas ao léu e bandeira na mão, já lhe agrada!! Até me disse: “Olhem, estou muito bem e vou com ela para todos os lados, sou livre! Levo cravos nas mãos para oferecer ou rosas no regaço, sou livre! Livre de preconceitos e expresso os meus pensamentos!”

Joguem pela janela a Inércia e a Neura! Soltem risos e gargalhadas que elas fogem a sete pés!
Vá, façam algo em prol de vós! Viva a Liberdade! Viva o prazer da vida!!!

M. Antonieta

Ser Mãe!

Flor mimosa que transpira bondade em pétalas odorífero dentro do seu ventre, desliza suavemente nas profundezas de um ser nado, na maravilha deslumbrante duma vida ao mundo,
Ser tão delicioso! Ser tão repleto de afectos! Ser tão profundo e belo!
Nos olhos trás alegria, maresia, nostalgia, flagrância, leveza, um arco-íris em plena ascensão.
Mãe! Palavra tão abrangente, tão fulgente, tão dispersa pelo mundo.
Doce boca que afaga com beijos de mel, que labuta, que luta, que corre, salta pelos socalcos, para alcançar o melhor.
Sobe, trepa, suspira, transpira, sempre, sempre pelo agarrar e embalar no seu peito a sua cria, que tanto ama!
Por vezes é incompreendida, desvalorizada, penosa a correria perante o olhar dos outros!
Como Mulher que é, é indestrutível, é vigorosa, é carinhosa.
Flor ao vento que navega nas ondas do amor, é nuvem no alto dos céus que sorri com doçura, é sol que radia serenidade, amplia os corações, engrandece, resplandece todo o nosso viver!
Mãe, como te amo tanto!

M. Antonieta

Tempo é do tempo!

Tudo faz sentido na vida, desde que a agarremos com força e garra, possuí-la e amá-la, desfrutar o que de belo tem, mesmo com as suas tristuras, amarguras, desamores, incertezas, descrenças, há sempre longos caminhos a percorrer, o que é preciso é encontrar a estrada certa e aberta que nos conduz ao auge da nossa plenitude, onde está o bem e mal.